terça-feira, 27 de outubro de 2009

TEMPORAL

Quero abrir-me na condescendência de sua boca
e torturar os açoites de palavras mordidas em seu corpo nu,
pedaço másculo a incendiar-me os segredos ditos.
Ter do seu peso o prazer maior cabível em meus gemidos,
desordem total a organizar o ápice na ponta da língua.
Escorrer em sua pele o tesão de minhas alucinações,
perfumar sua carne entre cantos e recantos.
E mais insana gritar a liberdade de possuir sua alma
no delicado e total momento em que penetra meu mundo,
descobre o tom do meu suspirar e rompe o oculto mar,
essa face translúcida que de ser sua exige e come e cospe
e pede e rola e acaricia e amassa e chupa e suga e sente
e doa-se e toma e volta sempre depois do dilúvio
louca para que novamente um temporal se arme
e eu, sobrevivente, permaneça agarrada ao seu mastro,
tábua de salvação para meu sexo febril.

[Eliane Alcântara]

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