Não posso esquecer o seu jeito de olhar
ou apagar aquilo que eu não ouvi e dissemos.
Há tanto brilho no que está perdido
assim de uma forma que se faz achado;
basta sentir-nos únicos e abandonados (dentro).
Minha vida é sua comédia, a sua minha estrada.
Vagueio horas extras de nossa doce escravidão,
quero que abra-me fogueira em noite estrelada
e invente em minha boca palavras astros (despidas),
animação carnívora a redescobrir-nos horizontes.
Deixa de lado o que foi, remodela-nos.
Há na miragem dos nossos murmúrios
a beleza de canções inescritas – guardadas.
Volta de leve e toma-me em seus braços,
pretendo perder-me em seus conhecidos caminhos.
Espera mais? Esqueça. Violentarei palavras...
[Eliane Alcântara]
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