quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

SILÊNCIO DESEJO


cresce a maré e o vento do mar
corre a linha do rego da areia
grão a grão
no mergulho segredo sabor marinho
verde azul branco sopro espuma
saciando o silêncio desejo
que conserva em si de a possuir
e ela bebe...beija...bebe
a salgada aventura de o sentir
(Ísis)

PERGUNTA

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.

[Mania de Explicação-Adriana Falcão]

E Mar? Mar é você aqui, em mim...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

MAR...


Recebo-te de braços abertos
para que me possuas
sobre as rochas
plantadas sob meus pés.
Vens assim,
agitado espumante
pigmentas minh'alma
e sentes meu gosto
de destino
Envolves-me em tuas águas
festejando o encontro ritmado
Dos braços – toques, das pernas – abraços
da pele dos poros – arrepios
Vens, cresço em maré,
ao receber-te em mim
mar, mar atlântico!

Andréa Motta

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PALAVRAS

"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim?"
Caio F. Abreu

VERDADES E FANTASIAS

Poder de queimar a pele ao toque
Vencida pelos gemidos... és meu dono.
Mãos e boca percorrendo a pele toda
Mergulho no mais profundo da alma
Carne respondendo, coração sinônimo de vida
Suor, carícia, desejo
E fantasio: servidão, devoção
Êxtase, universo só nosso, o dos sentidos
Tortura e prazer, sou tua
Bebes o cio...
Te prendo, te aperto, te preciso dentro de mim
Entrega essa, a tua, que me enebria
Vadia me torno em detrimento do teu prazer
Corpos unidos, te alimentando em meu seio
Língua, boca, suor
Dentro de ti o meu amor
Só vc sabe me aMAR, só vc meu Mar

sábado, 14 de fevereiro de 2009

AMOR. É O LIMITE?

"E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também."
[Caio Fernando Abreu]

SENTIDOS

A submissão da alma em confronto com as delícias da carne, do amor profano
...andam lado a lado...na mesma cama, nos lençóis, n’algum lugar, no toque das mãos, que tudo desvendam, que tudo conhecem.
O sentido das palavras ditas se alinhando à submissão da alma...ganhando proporções gigantescas...loucuras no encanto da carne
... que se deixa dominar
que finda no gozo a coroar a sublimidade da alma que a tudo assiste e em conluio com a carne SENTE.