domingo, 12 de abril de 2009

RENOVANDO...


Quem mais precisa de ti sou eu
Receio de me perder de você
E todos os dias renovo a ti o meu amor
Amor puro e, ao mesmo tempo, amor carnal, que andam colados...juntos, não se desgrudam, antes se complementam

É da sua presença que preciso...grande em mim
Ilumina tudo, envolve

E todos os dias te amo na memória, cada pedacinho seu...e imagino tudo: teu cheiro...teu abraço...teu gosto de mar
Mar, amado...meu mar, do jeito seu que cabe em mim

sábado, 11 de abril de 2009

VENS



Não existes,
Mas eu te amo.
Vejo teu rosto
E me cegas.
Só tuas palavras,
Que em grande mar navegam,
Te podem trazer a mim...

Eu não existo
E em não te ver
Te amo e te cego.
Minhas palavras,
Não há mar, oceano,
Escuridão sequer
Que as possa malograr,
São meu amor por ti, a navegar...
Como a um farol
Espero em breve te avistar,
Um continente inteiro deslocar,
Para ver tua luz na minha
E o meu no teu, descansar...
Inda não morro,
Clamo por teu socorro
E vens, de mar,
Me beijar...

[Edileia]

PALAVRAS






Três palavras me bastam:
... amo
Mar...
... amor

EU




Me desvende... Tente! Sou misteriosa e surpreendente... Como a lua. Às vezes sou minha, em outras sou tua.

[Carolina Salcides]

sexta-feira, 10 de abril de 2009

TEU CORPO


TEU CORPO
É DESPIDA
CASCATA
QUE CANTA
ESCONDIDA
NO FUNDO
DA MATA

(Rita Moreira-1962)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

SÓ PARA TI


Meu corpo nu recebendo o ar
Meu corpo nu recebendo o mar
Meu corpo nu recebendo o luar
Meu corpo nu só para relaxar

Minha pele grossa para sua mão fina
Só me verá um dia se for da sua sina
Meus saltos e voos são tal como de rapina
Cabelos longos como a moda ensina

Meu corpo nu só para te excitar
Num oceano inteiro sou pequenina
Não saio nunca de meu canto mar

O sol, com sua luz, me ilumina
A lua banha em todo o meu bailar
Inexisto quando a ilusão termina!

(Ademar Oliveira de Lima)

terça-feira, 7 de abril de 2009

VERBO AMAR


Amo com tal força e intensidade
Que tenho medo de te amar
Amo nas mentiras e também nas verdades
Amo no pôr-do-sol, e no brilho do luar

Amo com tamanho amor desmedido
Que ultrapassa os limites que desconheço
Amo agora, e no futuro prometido
Amo no fim e antes mesmo de um começo

Amo em cada gota de sangue que escorrer
Por te amar, e invejar seu doce leito
Mas não posso esse amor mais esconder
Se ele mal cabe dentro do meu próprio peito.

[Rafael Estevan]

domingo, 5 de abril de 2009

"FANATISMO"


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...”

[Florbela Espanca]

SOLIDÃO


Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias a tempo e medidas.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser onde jamais
me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-me em silêncio e às vezes como uma
criança me apertas em teu peito: acaricio
então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando no
enlace das colunas em seteiras escadas. Se
grito teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.

[Dora Ferreira da Silva]

sábado, 4 de abril de 2009

X



QUAL O NOME QUE SE DÁ A ESSA NECESSIDADE DE TI?
DURMO PENSANDO NISSO.

ÉDEN




... descem por um vendaval
de curvas molhadas
em direção ao ventre
gotas, encantadas por
intocada orquídea
que não perdoa
quem a toca à toa
em gotículas, seguem
auspiciosas e itinerantes
e gemem, pelos portais do Éden

[Caroline Schneider]

sexta-feira, 3 de abril de 2009

DESPEDIDA


Minha alma nunca foi de puro azul,
ele era o cerne em que depositei as pilastras
para que todas as outras cores explodissem,
mas não me fossem ameaça
é verdade que tudo passa entre os ossos,
sangue e veias
interferindo irremediavelmente
na coordenação motora da vida,
assim como as antenas e a fumaça
que cobrem o céu roubaram-me o sonho e ele decerto nunca mais foi o mesmo.

Por que te revestiste de teu falso gigante
e levantaste o braço como quem ergue a foice?
O poeta era eu, eu o próprio lamento,
eu que tremia de dor à noite e numa prece muda
convocava tua partida inconscientemente...

Na presença das cores que agora me habitam
e de minha alma turquesa sem medidas
não se houve mais tua voz
e o açoite ao qual me infligiste impiedosamente
hoje é sim cicatriz debaixo do pé,
às vezes dói,
mas nunca vejo.
e eis o teu incômodo de lava : não mais terás teu realejo, que um dia te concedi
embebido dos perfumes das mais caras rosas que jorravam
dos meus jardins já sem pele
mas sempre dormirá em ti como um assombro
tudo o que eu fora e que de tão grande
nunca caberia nas palmas de tuas mãos descuidadas.

[Ivana Pascoal]

À REVELIA


Às vezes a gente vive o impossível
como acalentar
esta vontade incrível de amar
à revelia
deste tempo mais difícil a cada dia.

[Leila Micolis]

SETEMBRO



Eu juro me abrir em setembro...
Porque em setembro eu sempre estou pronta.
Não me esforço...
Abro-me, simplesmente.

Ando melhor por meus campos...
Em setembro eu me tenho.
E me tendo, sou toda tua.
Como as flores são da primavera.

[Carolina Salcides]

DESCONHECIMENTO





EU NÃO SEI COMO VAI SER
ENQUANTO TODOS ME OLHAM
ENQUANTO TODOS ME CHAMAM
ENQUANTO TODOS ME CANTAM
ENQUANTO EU SÓ SEI DE VOCÊ

[CÁH MORANDI]

quinta-feira, 2 de abril de 2009

MEDO


talvez eu quisesse ser teu lado mais bonito
a parte da tua história mais repleta, plena
a coisa certa
de uma forma tão serena, tão doce
mas que ao mesmo tempo fosse
selvagem e obscena, violenta até.

que o ódio está sempre contido na paixão
e se eu tenho uma paz toda que me enfeita
trago uma casa suspeita dentro do coração

trago um crime que cometi ou que vou cometer
e jogo contra mim, jogo contra você
vivo do perigo de te fazer enlouquecer
no eterno dilema de ser e não ser
ando na beira do que pode acontecer
e morro de medo de te perder.

[Bruna Lombardi]

LOUCURA


ninguém acredita da forma
que a gente se cola e gruda
uma pele na outra, nuas
a coisa vira tão única
que nesse loucura
um corpo no outro
a gente tatua;
o que irão dizer
todos os sábios
quando souberem
que em um abraço
a gente ocupa
o mesmo lugar no espaço?

[Cáh morandi]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ENTREGUE-SE


Beber ou fazer amor? Beber e fazer amor. Ambos são instantes de total entrega. Não se ama mais o menos. Não se bebe vinho mais ou menos. Entregue-se aos dois, por inteira.

[Carolina Salcides]

ESSA MOÇA...

PROCURA


PROCURO PARA MIM UM HOMEM SEM MORAL, QUE ME DEIXE ARISCA E ME DEITE DE COSTAS MANDANDO COISAS. O OCULTO DA PAIXÃO TEM MAIS SABOR QUE PITANGA ROUBADA E MINHA ALMA DISSOLUTA, DISSIMULADA MISTURA AO VINHO UMA IDÉIA DE ME JOGAR EM LENÇÓIS DE LINHO OU NO MAR. AH, EU QUERIA SABER DE COR O NOME DAS ESTRELAS E TUDO QUE DE MISTÉRIO CARREGA O SER HUMANO, A FACE DAS PESSOAS, A INCONFESSÁVEL, A DIMENSÃO DA ATMOSFERA E O PONTO EXATO ONDE TUDO SE DESINTEGRA. QUERO CONHECER O SENTIDO DA VIDA, A ESSÊNCIA DO VÔO E A GEOGRAFIA.

[BRUNA LOMBARDI]

terça-feira, 31 de março de 2009

SAUDADE


VC FAZ MUITA FALTA
AUSÊNCIA SENTIDA
QUE DÓI LÁ NO FUNDO
QUEIMA
E ME PEGA DESAVISADA
SEM O TOQUE DAS SUAS MÃOS
ACORDO ANTES DO SOL
SAUDADE
SÓ SAUDADE

SENSUALIDADE

AMO


Amo o que em ti há de trágico. De mau.
De sublime. Amo o crime escondido no teu andar.
A tua forma de olhar. O teu riso fingido
e cristalino.

Amo o veneno dos teus beijos. O teu hálito pagão.
A tua mão insegura
na mentira dos teus gestos.
Amo o teu corpo de maçã madura.

Amo o silêncio perpendicular do teu contato
A fúria incontrolável da maré
nas ondas vaginais do teu orgasmo.

E esta tua ausência
Este não-ser que é

[Manuela Amaral]

LUTA


Na paixão de um homem, na inquietude
das feras, no vermelho
que o fio da lâmina provoca
o olho acostumado a perscrutar
as máscaras, as almas, o que não se confessa.

Na origem profunda do ser
Onde tudo começa
na sua luta contra o tempo
e contra a natureza

em tudo há o desgaste
em tudo o conflito se apresenta
raiz do ataque e defesa
há o mar, a fúria do mar
e a força da rocha que o enfrenta.

[Bruna Lombardi]

domingo, 29 de março de 2009

PORVIR


Deve haver alguma espécie de sentido, ou o que virá depois?

[Caio F. Abreu]

sexta-feira, 27 de março de 2009

INVENTOS



Você sabe como eu sou despreocupada, que me encerro neste quarto e me permito todas as divagações, as fantasias, obsessões, perseguições. Todos os dias você sabe que eu me viro de inventos, que eu me reparto e dou crias que eu mal me resolvo e me agüento... Carrego pedras no bolso e enfrento ventanias.

[Bruna Lombardi]

SOLIDÃO





É tão dificil

Ficar mais uma noite sem você

Esperando o tempo todo sem saber

Se você vem pra que eu não fique sem te ver

É tão dificil

Esperar o telefone que não toca

Você suavemente abrir a porta

E me dizer com o coração estou aqui

É tão dificil

Segurar mais uma noite a solidão

Mentir prá convencer meu coração

Que você vem prá me dizer um sim ou um não

É tão dificil

Querer e não poder te esquecer

Vivendo simplesmente por viver

Sozinho aqui a espera de você

[®Renan Torres]

terça-feira, 24 de março de 2009

SEGREDA-ME

Recolhe o meu corpo que vagueia no mar
Nele escreve palavras
Pronuncia os suspiros que te libertam
Curvada deita-me sobre as ondas que as tuas mãos desenham
E segreda-me todas as histórias sem fim

[ Madalena Palma]

domingo, 22 de março de 2009

DESEJOS


Que me venha esse homem depois de alguma chuva, que me prenda de tarde em sua teia de veludo, que me fira com os olhos e me penetre em tudo.
Que me venha esse homem de músculos exatos, com um desejo agreste, com um cheiro de mato.
Que me prenda de noite em sua rede de braços, que me perca em seus fios de algas e sargaços.
Que me venha com forca, com gosto de desbravar, que me faça de mata pra percorrer devagar.

Que me faça de rio pra se deixar naufragar.
Que me salve esse homem com sua febre de fogo, que me prenda no espaço de seu passo mais louco.

[Bruna Lombardi]

DOMINGO SEM SOL


De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?
De quem é esta saudade,
de quem?
Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...
E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...
De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?

[Gilka Machado]